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abril 01, 2026

O GATO E O PASSARINHO


 

Parte I

 

Era uma vez um gato de pelos negros como a noite, que vivia em uma casa antiga com um jardim suspenso. Diferente do que muitos pensavam ao ver sua cor, ele não trazia má sorte; na verdade, era o animal mais calmo e observador de todo o bairro. Ele passava as tardes esticado no muro, sentindo o calor do sol e fechando os olhos para ouvir o som do vento nas folhas.

Em uma dessas tardes, um som interrompeu sua paz: um bater de asas desesperado vindo de um arbusto de roseiras. O gato, com sua curiosidade natural, saltou do muro com a leveza de uma pluma e se aproximou.

Lá estava ele: um pequeno passarinho de peito amarelo, com uma das patinhas presa em um emaranhado de fios de náilon que haviam voado até o jardim. O pássaro, ao ver a sombra negra se aproximando, paralisou de medo. Ele tentou piar, mas a voz mal saía. Ele achava que aquele era o seu fim.

O gato parou a poucos centímetros. Ele olhou para o passarinho, inclinou a cabeça e, em vez de mostrar as garras, sentou-se pacientemente. Ele percebeu que o pequeno ser estava sofrendo. Com uma delicadeza que ninguém acreditaria que um felino possuísse, o gato usou os dentes apenas para morder e desfazer o nó do fio, sem encostar um milímetro na pele do pássaro.

Quando o fio finalmente cedeu, o passarinho não voou para longe imediatamente. Ele ficou ali, recuperando o fôlego, surpreso por ainda estar vivo. O gato deu um passo para trás e soltou um ronrono baixo, como se dissesse que estava tudo bem.


 

Uma rotina diferente

Nos dias que se seguiram, algo mudou naquele jardim. O passarinho, agora curado, voltava todas as manhãs. Ele não ficava mais no alto das árvores; ele descia até o degrau da varanda onde o gato costumava sentar.

Eles criaram uma linguagem própria. O passarinho cantava melodias alegres que pareciam ninar o felino, e o gato, em troca, afastava os outros gatos valentões que tentavam rondar o ninho que ficava na macieira vizinha. O gato protegia o pássaro do perigo, e o pássaro trazia vida e música para a solidão do gato.

Certa vez, uma tempestade muito forte atingiu o jardim. O vento soprava tão forte que o ninho do passarinho balançava perigosamente. O gato, percebendo o perigo, ficou de guarda na janela e, quando viu que o pequeno amigo estava com frio e sem abrigo, miou alto até que seu dono abrisse a porta. O gato então correu até o jardim e, gentilmente, guiou o pássaro para dentro de casa, onde ele pôde se aquecer até a chuva passar.

Os vizinhos que passavam pelo portão ficavam maravilhados: um gato preto e um passarinho amarelo dividindo o mesmo espaço, em silêncio e harmonia. A história deles se espalhou como um exemplo de que a natureza não precisa seguir regras de caça quando existe empatia.

 

Parte II

 

Certo dia, o movimento no jardim mudou completamente. O dono da casa decidiu instalar vários aparatos de metal com fios esticados e sensores de movimento para espantar invasores. O gato, acostumado a circular livremente, viu seu caminho bloqueado por grades novas e pontiagudas que dividiam o quintal ao meio.

O passarinho, do alto da macieira, observava o gato tentar saltar o novo muro, mas as pontas de metal eram perigosas demais. O espaço onde costumavam se encontrar agora estava isolado. Além disso, o barulho agudo que os sensores emitiam toda vez que algo se movia afastava qualquer ser vivo.

Para piorar, uma equipe de poda chegou à rua. Eles começaram a cortar os galhos da macieira que avançavam sobre os fios de eletricidade. O passarinho viu seu abrigo ser reduzido a quase nada em poucos minutos. Sem as folhas para se esconder, ele ficou exposto aos falcões que rondavam a região durante o dia.

O gato, do outro lado da grade, tentava encontrar uma brecha. Ele cavou a terra úmida sob o portão de metal até criar um pequeno vão, mas era estreito demais para ele passar. O passarinho, acuado pelo barulho das serras elétricas e pela falta de galhos, voou em direção ao gato, mas o sensor de movimento disparou um jato de água automático que o jogou longe.

O pássaro caiu atordoado em uma poça, enquanto os homens da poda continuavam a avançar com as máquinas barulhentas. O gato usou suas garras para puxar a base de uma tela de proteção que cercava o canteiro, tentando criar um túnel. O metal arranhava sua pele, mas ele continuou forçando a passagem enquanto o passarinho tentava se levantar da água antes que as botas pesadas dos trabalhadores chegassem perto de onde ele estava caído.

 

Parte III

 

Os trabalhadores avançavam com botas pesadas e macacões laranjas, arrastando escadas de metal que faziam um barulho estridente contra o cimento. Um deles ligou uma sopragem de folhas, criando um turbilhão de vento e poeira que jogou o passarinho, ainda atordoado, para debaixo de um banco de madeira.

O gato, vendo a aproximação dos homens, parou de cavar e saltou sobre o muro lateral, equilibrando-se nos tijolos soltos. De cima, ele observava um dos trabalhadores posicionar a escada exatamente sobre o arbusto onde o pássaro se escondia. O homem não via o pequeno vulto amarelo entre as folhas secas.

Quando o trabalhador começou a subir, o gato soltou um miado agudo e pulou no degrau da escada, fazendo-a balançar. O homem parou, xingou e tentou enxotar o animal com a mão. O gato não recuou; ele desceu e começou a correr entre as pernas dos homens, enrolando-se em seus passos e fazendo-os tropeçar nos fios das máquinas.

— Sai daí, bicho! — gritou um deles, tentando afastar o gato com a ponta da bota.

Enquanto a atenção dos trabalhadores estava voltada para o felino que não parava de cruzar o caminho deles, o passarinho conseguiu se recuperar. Ele saltou da poça, sacudiu as asas molhadas e voou baixo, passando por baixo do portão de ferro que o gato tinha tentado cavar.

O gato, vendo que o pássaro havia atravessado para o lado seguro da garagem, deu um último salto para cima de um latão de lixo e sumiu por entre as frestas do telhado. Os trabalhadores, confusos com a agitação do animal, voltaram ao serviço, ligando novamente as serras que ecoavam por todo o quarteirão.

Deseja que os dois se encontrem no telhado da garagem ou que o gato tente expulsar os homens definitivamente do jardim?

O gato subiu silenciosamente pelas telhas de cerâmica, deslizando entre as chaminés até alcançar a parte mais alta do telhado da garagem. Lá embaixo, o barulho das serras continuava e a poeira subia em nuvens cinzentas. O passarinho, com as penas ainda úmidas e desalinhadas, pousou logo em seguida na borda de uma calha, sacudindo o corpo para tirar o resto da água suja.

Os dois ficaram parados, observando o movimento no jardim. Os trabalhadores gesticulavam e apontavam para os galhos cortados que se acumulavam no chão, preparando-se para ligar o triturador de madeira. O gato deitou-se sobre o barro quente das telhas, enquanto o pássaro se encolhia ao seu lado, protegendo-se do vento que começava a soprar mais forte.

De repente, o céu escureceu rapidamente. Um trovão ecoou baixo e as primeiras gotas, pesadas e frias, começaram a atingir o metal das máquinas. Em poucos minutos, a garoa virou um temporal. A água batia com força no telhado, criando uma cortina que escondia o horizonte.

Lá embaixo, os homens começaram a correr. Eles tentavam cobrir os equipamentos com lonas plásticas, mas o vento as arrancava das mãos. O chão do jardim virou um lamaçal em instantes. Gritando uns com os outros sobre o barulho do temporal, os trabalhadores desistiram de recolher os galhos; jogaram as ferramentas na caçamba do caminhão, bateram as portas com força e arrancaram, deixando o portão entreaberto na pressa.

O gato e o passarinho permaneceram no topo da garagem, sob o beiral que os protegia. O silêncio voltou ao jardim, interrompido apenas pelo som da água batendo na terra.

 

FIM

Uma sugestão


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março 23, 2026

livro novo


 RALLY NO SAARA  - "Dunas E Destinos"

Disponível: Clube dos Leitores ou Amazon.com.br


TRILOGIA COMPLETA

1. Na Terra: O desafio das montanhas e o limite do fôlego.

2. No Ar: A liberdade das correntes térmicas e a visão de cima.

3. No Mar: A autossuficiência de Jan Van Dek e o silêncio do oceano.


Forneço cópia em PDF: solicitar noscomentários





março 22, 2026

livro novo


 Disponível em Clube de Autores

Em um mundo onde as telas brilham mais que as estrelas e o silêncio se tornou uma raridade, as fábulas de Daisy Aguinaga d’Eibar surgem como um espelho necessário para a alma moderna.

Nesta coleção de contos atemporais, o leitor é convidado a percorrer corredores de bibliotecas infinitas e tabuleiros de xadrez que desafiam a gravidade. Aqui, as abstrações ganham corpo e voz: a Avareza tranca-se em prédios de vidro, a Vaidade perde-se em filtros digitais e o Poder tropeça na própria armadura de ouro.

Entre o peso da Miséria e a leveza da Esperança, as histórias de Fabulando não buscam apenas apontar caminhos, mas sim despertar a Curiosidade necessária para abraçar o Mistério. É uma obra sobre as contradições humanas — o equilíbrio frágil entre a Dúvida que nos paralisa e a Certeza que nos cega.

Fabulando é um convite para desacelerar a ampulheta do tempo e redescobrir que, mesmo na era da conexão total, a sabedoria ainda reside na simplicidade de uma boa história.


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março 18, 2026

livros novos para a garotada

Na coleção Aventuras no Fundo do Mar, a autora Daisy Aguinaga d'Eibar convida as crianças a descobrirem que, no imenso oceano, ninguém sobrevive sozinho. De cozinhas perigosas a recifes ameaçados por tempestades, cada volume traz uma dupla improvável que precisa esquecer suas diferenças para enfrentar um grande desafio.

Através de fugas heroicas e planos astutos, caranguejos, siris, lagostas, cavalos-marinhos e estrelas-do-mar mostram que a força bruta nem sempre é a resposta. Com inteligência, camuflagem e, acima de tudo, cooperação, esses pequenos heróis provam que até os seres mais frágeis podem realizar feitos gigantescos quando estendem a mão (ou a pinça!) uns aos outros.

Prepare o fôlego: a próxima grande aventura começa logo abaixo da superfície!







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fevereiro 16, 2026

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LIVROS PARA UM ÓCIO ULULANTE



dezembro 17, 2025

CONTOS DE NATAL


 

A confusão na oficina 

         Na oficina do Papai Noel, os duendes corriam de um lado para o outro, carregando caixas e listas. 

 Mas algo deu errado: um duende distraído misturou etiquetas. 

 Bonecas foram parar em caixas de carrinhos, trenós de brinquedo estavam cheios de ursinhos de pelúcia, e até uma bicicleta apareceu dentro de um saco de meias. 

 O caos tomou conta, com duendes tentando reorganizar tudo antes da meia-noite. 

Noel entrou, observou a confusão e riu: 

“Talvez seja esse o presente perfeito: a surpresa.” 

 Naquela noite, muitas crianças descobriram que o inesperado também pode ser mágico.

 

 A rena extraviada

         Estrela, a rena mais jovem, desapareceu pouco antes da partida do trenó. 

Os duendes procuraram pela neve, chamando seu nome. 

Encontraram-na horas depois, parada diante de uma casa simples, olhando pela janela. 

Lá dentro, uma criança desenhava renas em um caderno, sonhando com o trenó. 

Noel sorriu: “Ela veio lembrar que os sonhos também guiam nosso caminho.” 

E naquela noite, Estrela puxou o trenó com mais brilho do que nunca.


 O trenó atrasado

         Uma tempestade de neve atrasou a partida do trenó. 

As crianças dormiam sem esperança de receber presentes. 

Mas quando o céu clareou, Noel partiu com velocidade dobrada. 

Na manhã seguinte, cada casa tinha um presente e uma mensagem: 

“Mesmo quando parece tarde, a magia sempre chega.”


 O sumiço do gorro

        O gorro vermelho de Papai Noel havia sumido. 

Sem ele, Noel dizia que não poderia voar. 

Os duendes reviraram caixas, sacos e até o trenó, mas nada encontraram. 

Até que uma criança, ao acordar, encontrou o gorro embaixo da árvore, como se fosse um presente. 

Noel apareceu e disse: “Talvez o gorro tenha escolhido você para lembrar que o Natal é partilha.” 

E, sorrindo, colocou-o de volta na cabeça antes de partir.

 

Um brinquedo quebrado 

     Entre os presentes prontos, havia um carrinho com a roda quebrada. 

Um duende quis descartá-lo, mas Noel disse: “Não, ainda há valor nele.” 

Consertaram o carrinho com cuidado, mas deixaram uma marca visível. 

Na manhã seguinte, uma criança recebeu o brinquedo e disse: “É igual a mim, também tenho uma cicatriz.” 

E sorriu, porque finalmente tinha um presente que parecia feito especialmente para ela.

 

A carta sem nome

         Na oficina, os duendes trabalhavam sem descanso, riscando nomes e pedidos em longas listas. 

De repente, uma cartinha apareceu entre os envelopes coloridos: não tinha remetente, nem endereço. 

O silêncio tomou conta da sala. 

Um duende perguntou: “E se nunca descobrirmos quem pediu?” 

Papai Noel pegou a carta, olhou para todos e disse com ternura: 

“Se não há nome, é porque é de quem esqueceu a esperança. Vamos entregar alegria a todos.” 

Naquela noite, cada casa recebeu um pequeno gesto inesperado — e muitos corações se sentiram lembrados.



outubro 14, 2025

A ORIGEM DO DIA DAS CRIANÇAS

 


Como surgiu oficialmente

  • Em 1924, o então presidente Arthur Bernardes assinou um decreto que instituía o “Dia da Festa da Criança” em 12 de outubro g1.
  • A proposta surgiu após o 1º Congresso Brasileiro de Proteção à Infância e o 3º Congresso Americano da Infância, realizados em 1922 no Rio de Janeiro, como parte das comemorações do centenário da Independência.
  • A ideia era chamar atenção para os direitos das crianças e promover ações voltadas à educação, saúde e bem-estar infantil.

Popularização comercial

  • Apesar da criação oficial em 1924, a data só se tornou popular nos anos 1950, quando empresas como a Johnson & Johnson e a Estrela lançaram campanhas publicitárias para promover brinquedos.
  • Desde então, o Dia das Crianças passou a ser fortemente associado ao consumo e à celebração da infância com presentes e brincadeiras.

E no resto do mundo?

  • O Brasil é o único país que celebra o Dia das Crianças em 12 de outubro. Em outros países, a data varia bastante, sendo o 1º de junho e o 20 de novembro (Dia Universal da Criança, pela ONU) os mais comuns.

outubro 09, 2025

CONVITE AOS PAIS

FÓRMULA KIDS - CORRIDA COM CARROS DE PAPELÃO

Uma iniciativa do Atelier Le Clochard para aproximar o público infantil do esporte.

Destinado a crianças de 5 a 10 anos, é uma corrida com carros feitos pelos pais, com caixas de papelão.

Um evento especial para a criançada, com muita diversão, esporte e saúde.

Todas as crianças participantes recebem prêmios. E um troféu para o modelo mais original. Vagas limitadas!

INSCRIÇÕES PARA A 1ª FÓRMULA KIDS CORRIDA DE CARROS DE PAPELÃO NO ATELIER LE CLOCHARD

AV. SENHOR DOS PASSOS, 2923 COM DAISY – WHATS APP 988226529

Vista sua camiseta mais colorida, traga sua torcida e venha fazer parte dessa aventura!


 

outubro 08, 2025

1ª FÓRMULA KIDS - CORRIDA COM CARROS DE PAPELÃO

 


CONVITE AOS PAIS

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ABERTAS AS INSCRIÇÕES 

1ª CORRIDA KIDS 

ATELIER LE CLOCHARD 

 

Instagram @atelierleclochad

Whats App 32 988 5226529

Av. Senhor dos Passos, 2923

 



setembro 15, 2025

A história dos bebês e repolhos!

 



Essa lenda tem raízes na tentativa de explicar de forma divertida e inocente de onde vêm os bebês, especialmente para crianças pequenas.

A ideia de que os bebês são encontrados dentro de repolhos vem principalmente da França e de outras partes da Europa. Em algumas versões, os bebês são "cultivados" dentro de grandes repolhos e descobertos pelos pais quando estão prontos para vir ao mundo.

Esse conto se espalhou e se tornou uma alternativa à famosa história da cegonha trazendo os bebês.

Provavelmente, essa lenda surgiu da associação entre o formato das folhas do repolho e o ato de embrulhar um recém-nascido. Além disso, o repolho era um vegetal comum em muitas dietas europeias, o que pode ter ajudado na sua escolha como símbolo da chegada dos bebês.

Assim como a história da cegonha, essa é uma maneira lúdica de abordar o mistério do nascimento antes que as crianças estejam prontas para aprender sobre biologia de forma mais direta.

 

O GATO E O PASSARINHO

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