A meia furada e o sapato
Era uma vez, em um armário cheio de roupas esquecidas, vivia uma
meia velha e furada. Ela tinha um passado glorioso: acompanhara inúmeras
caminhadas, aventuras e até um grande dia especial — o casamento de seu dono.
Mas, agora, estava empilhada em meio a roupas que ninguém usava mais. Seu
tecido estava gasto, e havia um pequeno furo que crescia a cada vez que alguém
tentava remendá-la.
A meia não se considerava inútil, porém. Naquele armário, ela
gostava de contar histórias sobre suas viagens e experiências para os outros
objetos, especialmente para os sapatos e outras meias mais novas. Seus relatos
eram cheios de emoção, e todos escutavam com admiração e um toque de
curiosidade.
Um dia, algo inesperado aconteceu. O dono do armário, ao
preparar-se para uma viagem apressada, não encontrou suas meias novas. Ele
vasculhou freneticamente as gavetas até encontrar a velha meia furada. Mesmo
hesitante, ele decidiu usá-la, pensando: “Ela pode não estar perfeita, mas vai
servir por enquanto.”
A meia, animada pela oportunidade de sair do armário, fez o melhor
que pôde. Apesar do furo, ela ofereceu conforto ao pé do dono. Durante a
viagem, enfrentou terrenos difíceis, calor e até um pouco de chuva. E, embora o
dono tivesse a opção de comprar meias novas durante o percurso, ele decidiu
mantê-la até o fim da jornada. Ele percebeu que, apesar de sua aparência,
aquela velha meia ainda tinha muito a oferecer.
Quando voltaram para casa, o dono não a jogou fora, como muitos
achavam que faria. Em vez disso, ele resolveu guardá-la como uma lembrança
especial. A meia, cheia de orgulho, passou a contar sua nova história aos
outros objetos do armário, provando que até as coisas mais simples e
desgastadas podem ter um valor que vai além do que se vê.
E assim, a meia velha e furada encontrou um novo propósito:
inspirar os outros a acreditarem em sua importância, mesmo quando o mundo
parece desvalorizá-los.
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