Visualizações de página do mês passado

645

março 24, 2025

A HISTÓRIA SOBRE MARIA, A MARIONETE

  

Maria e o Vestido Rasgado 


Maria era uma marionete única, esculpida à mão com tanto cuidado que parecia quase viva. 

Seus olhos pintados refletiam uma serenidade especial, e suas mãos delicadas pareciam capazes de segurar o próprio mundo.

 Alfredo, o ventríloquo e artesão que a criara, dedicava sua vida ao teatro, e Maria era sua obra-prima. 

Cada fio que a movimentava parecia pulsar com a magia das histórias que juntos contavam no palco.

O vestido vermelho de Maria era mais do que uma peça de figurino. Ele representava a glória de seus dias de estreia, o encanto de suas danças e a paixão que Alfredo tinha pelo teatro.

Era costurado à mão com um tecido que Alfredo guardara por anos — um presente de sua mãe, que sempre acreditou nos seus sonhos artísticos. Quando Maria usava aquele vestido, ela brilhava sob as luzes do palco como se fosse real.

 

Naquela noite em que o vestido se rasgou, o teatro estava cheio. Era uma peça nova, cheia de momentos emocionantes. 

O momento do rasgo aconteceu durante o clímax da apresentação, quando Maria fazia um giro dramático enquanto interpretava a heroína de um conto sobre amor e sacrifício. 

O som do tecido se rompendo foi quase inaudível para a plateia, mas Alfredo sentiu como se fosse um grito. 

Ele percebeu o rasgo imediatamente e, embora terminasse o show com maestria, não conseguiu evitar a sensação de perda.

 

De volta ao seu pequeno ateliê, Alfredo segurou Maria nas mãos, olhando para o vestido rasgado. 

Ele pensou nos anos de história que aquele tecido carregava e sentiu a tristeza de uma jornada interrompida. 

Foi então que ele teve uma ideia: transformar aquele momento de perda em algo novo e significativo.

 

Alfredo passou a noite costurando o novo vestido de Maria. Usou retalhos de tecidos que colecionava há anos — pedaços de suas viagens, sobras de figurinos antigos e até um pedaço da cortina do próprio teatro onde fazia suas apresentações. 

Cada retalho tinha uma história. Enquanto costurava, ele se lembrava das risadas da plateia, dos aplausos calorosos e dos pequenos milagres que o teatro proporcionava.

 

Na manhã seguinte, Maria estava pronta. 

Seu novo vestido era um mosaico de cores, texturas e memórias.

 Quando ela foi ao palco novamente, o público ficou em silêncio por um momento, admirando a transformação. 

O vestido não apenas destacava a beleza de Maria, mas também contava uma história visual, uma celebração das imperfeições e das experiências que nos tornam únicos. 

Maria dançou naquela noite com mais vida do que nunca. 

A luz refletia nas diversas cores de seu vestido, criando uma aura quase mágica. 

Alfredo, por trás das cortinas, viu lágrimas brilharem nos olhos de algumas pessoas da plateia e percebeu que, às vezes, as coisas mais belas nascem das cicatrizes que carregamos.


Nenhum comentário:

Postar um comentário

A HISTÓRIA DO COMPRADOR COMPULSIVO

  Era uma vez um comprador impulsivo chamado Lucas, que vivia em uma pequena cidade repleta de vitrines chamativas e promoções irresistíveis...