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março 25, 2025

A HISTÓRIA “DO TESOURO DO GARI" - II

  

O TESOURO DO GARI

PARTE DOIS

 

 


João era um gari humilde, conhecido por seu sorriso fácil e disposição incansável. Trabalhava pelas ruas de Juiz de Fora, cuidando do que muitos ignoravam, mas que ele considerava sua missão: manter a cidade limpa e acolhedora. Porém, João carregava consigo um segredo que ninguém imaginava.

 

No fim do expediente, enquanto outros iam embora, ele tinha o hábito de caminhar por vielas pouco movimentadas, observando o que as pessoas descartavam. Ele acreditava que o lixo de uns podia ser o tesouro de outros. E, com o tempo, João foi encontrando objetos que lhe chamaram atenção: um relógio antigo, uma caixa de música enferrujada, páginas de diários cheias de histórias... Tudo isso ele guardava em um pequeno porão de sua casa, que ele carinhosamente chamava de “Caverna do Tesouro”.

 

O tempo passou, e aquela coleção cresceu. João não via valor material nos itens, mas sim suas histórias. Ele acreditava que cada peça perdida era como um pedaço da memória de alguém, um pedaço da cidade. Um dia, encontrou uma garrafa de vidro contendo um papel enrolado. Ao desenrolá-lo, descobriu que era um antigo mapa do bairro, com marcas indicando um local que parecia ser uma espécie de "tesouro" escondido.

 

Curioso, João seguiu o mapa. A trilha o levou até um pequeno terreno coberto por mato. Lá, ele escavou com cuidado e descobriu um baú enterrado. Mas, ao abri-lo, não encontrou ouro ou joias. Dentro do baú, havia cartas, fotografias antigas e recortes de jornais que contavam a história do bairro. Era um registro das vidas que passaram por ali, das famílias, das dificuldades e das alegrias.

 

João percebeu que havia encontrado um tesouro muito mais valioso do que dinheiro. Ele decidiu compartilhar tudo com a comunidade, organizando uma exposição no centro cultural local. Pessoas de todas as idades vieram, se emocionaram ao reconhecer parentes em fotos antigas e lembraram que a história da cidade também era parte delas.

 

A partir daquele dia, João não era apenas o gari que limpava as ruas; ele era o guardião das memórias da cidade, uma figura respeitada e querida. Seu tesouro provou que a riqueza mais preciosa é aquela que conecta as pessoas e preserva suas histórias.

 

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